sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

seasons



Vai parecer clichê barato, e até pode ser.
Mas permita-me dizer, gritar, me desfazer.

Ela é a flor mais bela da minha primavera
De cor vibrante, que emana.

Ela é o meu sol de verão
Me ofusca a visão, me bronzeia o coração.

Ela se faz folhas laranjas de outono
Se desfaz e cai em beleza e encanto. 

Ela é o vento de inverno que me arrepia a pele
De soprar suave ou devastador, ela me causa febre.

Ela é menina, deusa. 
que alucina.

Pra ela
serei metades inteiras de puro amor.

furta-cor.


[Juliana Alves]

foto do post: weheartit.com

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

rabisque-se

Por que tens tanto medo de páginas em branco?
E mais medo ainda das que não tem pauta?

Pense:
Você pode escrever na direção que quiser, da cor que quiser.
Você pode pintar um mundo seu, desenhar casinhas como na sua infância ou construir prédios, sóis, nuvens, pássaros em rabiscos só seus.
Você pode desenhar algo que só você entenda e ser feliz com aquilo.
Poemas, musicas ou uma nova historia.
Por que tens tanto medo de páginas em branco?
Lhe dói entender que é preciso, que é muito preciso, ir adiante e preencher páginas novas com linhas e mais linhas de você mesmo? 

Pense:
Os livros de historias que oscilam e se modificam são os mais excitantes.
Livros maçantes não são interessantes. 
Não chamam atenção.
Não emocionam. 

Pense:
Tudo é tão passageiro e mutante. 
Não há tempo para rascunhos. 
Por que teimas tanto em sofrer e escrever a mesma dor inúmeras vezes?
Pra que tanta xerox? 
Você pode se pintar de tantas cores, de tantas formas...

Pense e rabisque-se!
Permita-se finalizar e iniciar novos ciclos, permita-se escrever novos livros. 
Comece de novo e de novo nas tantas vezes que forem necessárias. 
Existem tantas formas de ir adiante... 
Vire as páginas, vire-as e modifique-as! 
Você não sabe quantas ainda possui, por quanto tempo ainda vai desperdiça-las? 

[Juliana Alves]

foto do post: weheartit


terça-feira, 21 de outubro de 2014

fly-ing



outrora enjaulada
jamais imaginara o gosto doce da liberdade.
amara a sensação de voar
queda livre
alma livre.
não precisara de penhasco ou varanda
para se atirar
e bater asas.
coragem fora o empurrão.
desprendera-se de todo vício.

maldita dependência sentimental
mata mais que droga
fumada, cheirada, injetada...
envenena a alma - descobrira.
noites úmidas
insones
e dias tão perdidos quanto,
lhe foram despertador.
da dor
pro amor.


[Juliana Alves]

foto do post: weheartit.




one



A vida é essa estrada larga, em que tudo caminha nas tantas direções possíveis.
Inversas. Iguais.
Sometimes.
Ora completamente iluminada e insone, como as avenidas de uma grande metrópole
Ora há bolas de feno que se movimentam com o vento, numa infinita e velha estrada de terra vermelha.
São tantas travessas.
Direita, esquerda.
São tantas placas.
Lembre. Esqueça.
É tudo incerteza.
É difícil encontrar quem caminhe contigo na mesma direção, até o final da rodovia.
Vez ou outra alguém vai até te prometer eternidade.
A rota poderá até mesmo ser traçada.
Mas algo muda, um pneu fura
Uma luz apaga e alguém pega a próxima saída a direita. 


Eu não sei bem em qual travessa você ficou.
Eu nao sei o que quebrou.
Na verdade, eu nem sei se foi você mesmo quem traçou uma nova direção.
Ou se foi eu.

Eu sei que te perdi de vista em alguma esquina.
Talvez pela neblina.
Ou, apenas caminhos da vida. 



[Juliana Alves]

foto do post: weheartit.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

vira poesia



Tens a voz que me ecoa na alma.
Causa suadeira, 
pavor.
Saudade, enfim.
Das mais belas canções que já ouvi
derreto mesmo quando falas meu nome. 
É que na tua boca
qualquer bobagem ganha melodia.
Vira poesia.


[Juliana Alves]
Foto do post: weheartit


quinta-feira, 17 de julho de 2014

elas voam

Vez ou outra elas voam.
De dentro para fora.
Vôo bagunçado.
Cócegas.
Vez ou outra elas voam.
E eu vou dizer quando isso acontece.
Naquele dia o calor dela me atingiu antes mesmo que meus olhos a fitassem.
Ela usava um daqueles vestidos que até o vento gosta de soprar, só pra ver balançar, pra vê-la voar,
de várias cores.
Ela era assim também.
Uma pintura abstrata, cheia de traços tortos e coloridos - cheios de vida.
Na boca um tom cor de rosa, e o cabelo estava preso num coque que denunciava sua pressa.
Eu a abracei.
Quando a minha boca alcançou o seu ouvido, eu lhe soprei uma musica qualquer.
A primeira que me veio à mente.
Só pra ela achar graça do meu tom desafinado e sorrir.
Deu certo.
Ela ainda não sabia, nem pudera, mas barulho da sua risada, na verdade, era a minha música predileta
Me atingiu em cheio.
Daí elas voaram, em círculos
redemoinhos
Perdi o equilíbrio.
Noutro dia, elas também voaram.
Eu estava na casa daquele nosso amigo de anos e anos.
Ela chegou apressada, com a respiração descompassada.
Ensopada.
Chovia lá fora.
No céu viam-se apenas nuvens cinzas e carregadas, prontas para desabarem em gotas pesadas.
Seu cabelo, igualmente colorido, estava todo emaranhado.
Arrepiado
Assim como o meu corpo por ela.
Ela pulou no meu pescoço, pediu que eu a secasse com as minhas roupas e abraços.
Eu ri e tive vontade de levá-la pra rua, pra gente tomar um banho de chuva - eu queria pra mim todas as gotas que a tocassem.
Não me esqueço do suspiro que ela soltou no meu pescoço enquanto eu sentia seu coração desacelerar,
como quem diz: finalmente-achei-colo-seco.
Quis lembrá-la que ela encontrou muito mais que isso, mais que colo.
Sussurrei:
- dar-te-ei solo pequena!
Mas foi quando inspirei profundamente, pra encher meus pulmões do cheiro da nuca dela que elas voaram.
Ligeiras, apressadas
em desordem.
Acho que enrubesci.
O sorriso frouxo me denunciava, com certeza.
Tive a sensação de que todos podiam ouvir o bater das asas delas em mim.
Mal(ben)ditas borboletas.
Fizeram morada em mim, no meu estômago.
Aparecem de repente.
Eu, sem saber
tornei-me casulo.
O seu casulo.
Mais tarde, eu viria a descobrir.
A minha borboleta tem olhos grandes e brilhantes. 
Tem nome, endereço e há de ter o meu sobrenome.


[Juliana Alves]
Foto do post: google

segunda-feira, 7 de julho de 2014

que pulse



Pensando bem
eu não quero um amor tranquilo
com sabor de fruta mordida.
Quero sentimento avassalador
que me tire o sossego
o vento 
do tempo.
Sentimento que mude todos os dias
para melhor - claro.
Mas que saiba aceitar as diferenças
os dias confusos,
e que após o nosso décimo sexto desentendimento
saiba perdoar e se fazer perdoável
com um beijo doce.
Sentimento que entenda que os dias não são sempre amarelos
mas que me ajude a jogar tinta colorida 
nos dias que se apresentarem muito cinzentos.
Sentimento que cultive o sorriso
o silencio e o grito
a leveza da valsa da vida.
Que avance etapas como num jogo de banco imobiliário
mas que nunca retroceda uma ou duas casas
e mais, que jamais volte ao início.
Adiante sempre
andando na mesma direção.
Sentimento que ultrapasse limites
padrões
pra eu dizer com olhos os marejados:
- é-indescritível.

Pra ver o por do sol
o mar.
Pra remar
amar
e reamar quando preciso.
Que troque dor por amor
fidelidade por sinceridade
felicidade.
Amor que seja de verdade
que divida os pecados
as divindades.
Amor pra chamar de meu
sem ser propriedade.
Amor pra voar.
Amor que saiba onde
pulsar.


  [Juliana Alves]
Foto do post: google